Como encontrar as notas no braço do Ukulele e montar acordes

O instrumento

O ukulele é um instrumento que tem ganhado a atenção na música pop por sua sonoridade leve e agradável. O som traz uma sensação de estar em alguma ilha paradisíaca curtindo férias, talvez pela sua origem havaiana. É um instrumento recente, que teve a origem no século XX. Como curiosidade, ukulele no idioma havaiano significa pulga saltitante, mas estas informações você pode encontrar na Wikipedia.

Tipos de ukulele

São diversos tipos e formatos do instrumento e também diferentes afinações. Os modelos  mais usuais são o soprano que pode ser afinado em C ou G, o concert afinado em C e o tenor, também afinado em C. No entanto há outros tipos como o sopraníssimo, sopranino, barítono, banjolele entre outros.

Pra saber mais sobre tipos e modelos de ukulele indico o vídeo do João Tostes do canal Toca Ukulele que traz detalhes de todos eles.

Afinações

Para entender como são formados os acordes no ukulele, precisamos saber primeiro qual a afinação do instrumento. A afinação mais comum é em dó (C) em high G. Esta afinação também é conhecida como C6 porque as cordas soltas formam o acorde de dó com sexta.

A afinação mais comum é em dó em high G.

Desta forma, as notas formadas pela corda solta no ukulele de cima para baixo são na afinação em dó são:  Sol (G), dó (C), mi (E) e lá (A). Perceba que o acorde C6 é formado pela tônica C, a terça E, a quinta G e a sexta A. E por que high G? o high refere-se à corda G que é mais fina que as demais, produzindo um som mais agudo. Há porém, a possibilidade de afinação Low G. Neste caso, a nota G é mais grave e os arranjos para esta afinação são diferentes, mais próximos aos arranjos feitos no violão onde é possível fazer uma escala descendente até os sons mais graves, o que não é possível na afinação high G, que tem a característica mais havaiana.

Como todo instrumento de cordas, o braço do ukulele é dividido em casas e ao pressionar a corda sequencialmente de casa em casa, aumentamos a nota em meio semitom. Assim, a corda solta é afinada para dar a primeira nota da corda. No caso da afinação em dó, a primeira corda de cima para baixo é o sol. Então, se tocamos a corda solta temos sol (G), pressionando na primeira casa sol sustenido (G#), pressionando na segunda casa lá (A) e assim sucessivamente.

Afinação em High G ou Low G

A figura a seguir mostra as notas formadas na afinação em dó no braço do ukulele. Veja que as notas são as mesmas independente se a afinação é low G ou high G. O que muda é a altura da nota, ou seja, a mesma nota em oitavas diferentes.

Notas no braço do Ukulele na afinação em C (High G/ Low G)
Notas no braço do Ukulele

Afinação em High D ou Low D

A afinação em sol é uma quinta acima, então as cordas soltas terão cada uma delas notas afinadas uma quinta acima, ou seja, de cima para baixo temos: ré (D), sol (G), si (B) e mi (E), formando o acorde de G6. Neste caso temos a possibilidade de afinar em low D ou high D, porque a primeira corda de cima para baixo agora quando tocada solta emite a nota ré. Se temos a corda mais espessa, teremos a afinação low D, se mais fina teremos high D.

Ao se utilizar a afinação high G ou low G, é importante lembrar que ao tocar com outros instrumentos, os acordes e notas estão transpostos de uma quinta, assim ao tocar o acorde de dó maior no ukulele ele corresponderá ao acorde de sol maior no violão ou piano.

Formação dos Acordes

Como formar acordes então? Basta encontrar as notas do acorde e buscá-las no braço do instrumento. Vamos dar alguns exemplos de acorde de C na afinação mais comum que é também em C (podende ser tanto High G quanto low G). 

Vamos então encontrar no braço do Ukulele os acordes C (dó maior), Cm (dó menor), C7 (dó com sétima ) e Cm7  (dó menor com sétima) como exemplos.

Acorde de dó maior

O acorde C é formado pelas notas C, E e G , bastando pressionar a corda lá na terceira casa teremos de cima para baixo G, C, E e C. Todas as notas fazem parte do acorde C mostrado na figura a seguir.

corde de dó maior no braço do Ukulele.
Acorde de dó maior (C) no braço do Ukulele

Acorde de dó menor

O acorde de Cm é formado pelas notas, C, Eb e G. lembrando que para formar o acorde menor, basta baixar a terça do acorde maior em meio tom.

Uma das configurações então é deixar a corda sol solta e pressionar todas as demais na terceira casa. Desta forma, de cima para baixo temos as notas G, Eb, G e C, todas pertencentes ao acorde de dó menor.

Acorde de dó menor no braço do ukulele.
Acorde de dó menor no braço do ukulele

Acorde de dó com sétima

Para formar o acorde de C7 que é formado pelas notas  C, E, G e Bb, partimos do acorde em dó maior, mas precisamos substituir o C da corda lá  pelo Bb, já que as cordas G, C e E soltas já produzem notas que fazem parte do acorde. Então, pressionando a corda lá na primeira casa temos a nota Bb que faltava e a única a ser pressionada.

Acorde de dó com sétima no braço do ukulele
Acorde de dó com sétima (C7) no braço do ukulele

Acorde de dó menor com sétima

Finalmente, o acorde de Cm7 pode ser formado pressionando todas as cordas sobre a terceira casa, já que as notas do acorde são C, Eb, G e Bb. Com esta configuração as notas de cima para baixo ficam: Bb, Eb,G e C.

Acorde de dó menor com sétima no braço do ukulele
Acorde de dó menor com sétima no braço do ukulele

Pra facilitar a vida, deixo um esquema com os principais acordes na afinação High G nas tonalidades naturais.

Acordes maiores, menores e com sétima para ukulele nas tonalidades naturais
Acordes maiores, menores e com sétima para ukulele nas tonalidades naturais

O que é Acorde de Empréstimo Modal?

Você já deve ter se deparado alguma vez com o termo acorde de empréstimo modal. O que vem a ser isso? Sabemos que os acordes são formados sobre uma determinada escala. Por exemplo, a escala de dó maior formada pelas notas dó, ré, mi, fá, sol, lá e si, todas naturais, quando combinadas entre si formam acordes. Assim, temos o que chamamos de campo harmônico que pode ser formado sobre a escala maior ou menor. Para saber mais sobre campos harmônicos dê uma olhada nos posts anteriores onde detalhamos os campos harmônicos maiores e menores.

O acorde de empréstimo modal é quando se utiliza um acorde que não pertence ao campo harmônico da tonalidade, mas ele faz parte do campo harmônico da tonalidade homônica. Deixe me explicar: Imagine que você está tocando em dó maior e na música utiliza um acorde que faz parte do campo harmônico de dó menor. A este acorde chamamos de acorde de empréstimo modal (AEM).

Os campos harmônicos são formados pelas notas da escala tocadas juntas em intervalos de terça, assim, na escala de dó maior temos os acordes : C7M, Dm7, Em, F7M, G7 e B75b. Já a escala de dó menor pode ter algumas variações, já que não há apenas uma escala menor, mas três: a menor natural, menor melódica e menor harmônica. Vamos considerar apenas o campo harmônico sobre a escala de dó menor natural que tem as seguintes notas: C, D, Eb, F, G, Ab e Bb e dão origem aos seguintes acordes: Cm7, Dm7 5b, Eb7M, Fm7, Gm7, Ab7M e Bb7. Então, se a música estiver sendo tocada em dó maior e tiver alguma passagem onde , por exemplo, apareça o acorde de Fm7 ele será considerado um Acorde de empréstimo modal (AEM) já que no campo harmônico de dó maior não há Fm7. O oposto também é verdadeiro, ou seja, se a música estiver sendo tocada em dó menor e tiver uma passagem onde o acorde, por exemplo, de G7 for tocado ele também é considerado um acorde de empréstimo modal (AEM).

Exemplo

Na música Luiza de Tom Jobim podemos ver na análise harmônica que a cadência II-V resolve no primeiro grau. Veja que o tom da música é dó menor, mas a resolução é feita em dó com sétima maior que não faz parte do campo harmônico de dó menor, mas faz parte do campo harmônico de dó maior.

AEM Musica Luiza
Exemplo de Acorde de Empréstimo Modal

No trecho da música Luiza que usamos como exemplo, o primeiro grau da escala menor foi substituído pelo primeiro grau da escala maior, mas a alteração poderia ter sido em qualquer grau, desde que homônimos, ou seja, tenham o mesmo nome. O acorde pode ser inclusive emprestado de outro modo. A figura a seguir é uma tabela de substituição de acordes de empréstimo modal disponibilizada pelo Prof. Nelson Faria. Nesta tabela, cada linha refere-se ao campo harmônico em um dos modos gregos, então um acorde de um determinado grau pode ser substituído por qualquer outro na mesma coluna.

Fonte: Nelson Faria, Um café lá em casa

Deixo a seguir o vídeo do mestre Nelson Faria explicando sobre os acordes de empréstimo modal com exemplos e ao violão.

AEM explicados por Nelson Faria

Referências Bibliográficas

Harmonia Método Prático, Ian Guest, Vol 2

Harmonia aplicada ao violão e Guitarra, Nelson Faria