Passacaglia de Johan Halvorsen: Diversas versões Instrumentais.

A música clássica é repleta de peças que capturam a imaginação do ouvinte através de sua complexidade e beleza. Entre essas obras está a “Passacaglia” de Johan Halvorsen, uma composição que continua a encantar músicos e entusiastas da música clássica ao redor do mundo. Neste post, vamos explorar a origem, a composição, os instrumentos originais e as diversas adaptações dessa magnífica peça.

Johan Halvorsen: Um Breve Panorama

Johan Halvorsen (1864-1935) foi um compositor e violinista norueguês cuja contribuição para a música clássica é significativa, apesar de ele não ser tão amplamente conhecido quanto alguns de seus contemporâneos. Halvorsen nasceu em Drammen, Noruega, e desde cedo mostrou um talento excepcional para a música. Ele estudou em várias cidades europeias, incluindo Estocolmo, Leipzig e Berlim, antes de retornar à Noruega para seguir uma carreira tanto como violinista quanto como compositor.

Halvorsen ocupou várias posições importantes durante sua carreira, incluindo a de maestro da Orquestra do Teatro Nacional em Oslo. Sua música é conhecida por sua riqueza melódica e habilidade técnica, e ele compôs em uma variedade de gêneros, incluindo música para teatro, sinfonias e peças de câmara.

A Passacaglia: Origem e Composição

A “Passacaglia” de Halvorsen é uma obra para violino e viola, baseada em um tema da suíte “Harpsichord Suite No. 7 in G minor” de George Frideric Handel. A Passacaglia, uma forma musical que se originou na Espanha e se popularizou na Europa durante o período barroco, é caracterizada por um baixo contínuo e variações melódicas sobre esse baixo. Halvorsen escolheu este formato para exibir sua habilidade como compositor e arranjador.

A peça foi composta em 1894 e se tornou uma das obras mais conhecidas de Halvorsen. O arranjo original para violino e viola destaca a interação entre os dois instrumentos, com ambos compartilhando o tema e variando-o de maneiras virtuosísticas. A escolha de Halvorsen de utilizar a Passacaglia de Handel como base demonstra sua reverência pela música barroca e sua habilidade em adaptar formas antigas para o estilo romântico tardio em que ele compunha.

Instrumentação Original

A instrumentação original da “Passacaglia” de Halvorsen é para violino e viola. Esta combinação de instrumentos é menos comum do que o clássico duo de violino e piano, mas oferece um som rico e complementar. O violino, com seu registro mais alto, proporciona uma melodia clara e brilhante, enquanto a viola, com um registro mais grave, oferece um contrapeso mais escuro e profundo. A interação entre os dois instrumentos permite uma exploração detalhada das variações temáticas e harmônicas, essencial para a forma passacaglia.

Análise Musical

A “Passacaglia” de Halvorsen é uma obra-prima de variações, construída sobre um tema de oito compassos. Este tema é apresentado inicialmente de forma simples, seguido por uma série de variações que exploram diferentes aspectos técnicos e expressivos dos instrumentos. Cada variação adiciona uma nova camada de complexidade, desde passagens rápidas e virtuosísticas até momentos mais lentos e introspectivos.

Halvorsen utiliza técnicas de arco avançadas, harmônicos e pizzicatos para criar uma peça que é tanto um desafio técnico quanto uma exibição expressiva para os músicos. A interação entre violino e viola é cuidadosamente orquestrada, com os instrumentos frequentemente trocando papéis de melodia e acompanhamento.

Adaptações e Versões

Embora a versão original para violino e viola seja a mais conhecida, a “Passacaglia” de Halvorsen foi adaptada para vários outros instrumentos ao longo dos anos. Estas adaptações permitem que a peça seja apreciada em diferentes contextos e por diferentes públicos.

Versão para Piano

A adaptação para piano da “Passacaglia” é uma das mais populares, devido à versatilidade e ao alcance do piano como instrumento solo. O arranjo para piano mantém a estrutura da peça original, mas permite que um único músico execute todas as partes. Esta versão requer uma grande habilidade técnica, dado que o pianista deve manejar as linhas melódicas e harmônicas simultaneamente.

Versão para Violão

A versão para violão da “Passacaglia” é outra adaptação popular, especialmente entre músicos de violão clássico. O violão, com sua capacidade de executar linhas melódicas e harmônicas, é um instrumento ideal para este tipo de peça. A adaptação para violão geralmente exige técnicas avançadas de dedilhado e uso extensivo de harmônicos, tornando-a uma peça desafiadora e gratificante para os guitarristas.A peça para violão poder ser no estilo fingerstyle onde apenas um violão executa a melodia e acompanhamento, ou ainda pode ser um arranjo para dois ou mais violões, com um tocando a melodia e o outro o acompanhamento.

Versão para Bandolim

O bandolim, com seu som brilhante e distinto, oferece uma interpretação única da “Passacaglia”. Esta versão é menos comum, mas é apreciada por sua capacidade de trazer uma nova cor à peça. O bandolim, com sua afinação em quintas e técnica de palhetada, cria uma textura diferente, mas igualmente interessante. A melodia tocada ao bandolim pode ser acompanhada pelo piano ou violão.

Versão para Violino Solo

Existem também versões para violino solo, que destacam a capacidade do violino de sustentar tanto a melodia quanto os acompanhamentos. As versões para violino geralmente são acompanhadas pelo piano ou violão acústico.

Outras Adaptações

Além dessas versões, a “Passacaglia” de Halvorsen foi adaptada para diversos outros conjuntos e instrumentos, incluindo duetos para dois violoncelos, versões para quarteto de cordas e até arranjos para orquestra de câmara. Cada adaptação traz uma nova perspectiva à peça, permitindo que diferentes timbres e técnicas sejam explorados.

A Importância da Passacaglia na Música de Câmara

A “Passacaglia” de Halvorsen é um exemplo brilhante da música de câmara, um gênero que enfatiza a colaboração íntima entre um pequeno grupo de músicos. A música de câmara é muitas vezes descrita como uma “conversa entre amigos”, e a “Passacaglia” exemplifica isso através do diálogo contínuo entre violino e viola.

Esta peça é frequentemente incluída em recitais de música de câmara devido ao seu apelo técnico e expressivo. Ela oferece aos músicos a oportunidade de demonstrar não apenas sua habilidade técnica, mas também sua sensibilidade musical e capacidade de colaborar de maneira eficaz com outros músicos. Além disso, a “Passacaglia” é uma obra popular em competições de música de câmara, onde seu desafio técnico e beleza musical a tornam uma escolha ideal.

Composição Atemporal

Desde sua composição, a “Passacaglia” de Halvorsen tem sido amplamente admirada por músicos e críticos. Sua popularidade se deve em grande parte à sua combinação de virtuosismo técnico e profundidade expressiva. A peça tem sido gravada por inúmeros artistas e continua a ser uma escolha popular em programas de concerto.

O legado de Halvorsen é mantido vivo através de obras como a “Passacaglia”. Embora ele tenha composto muitas outras peças, é esta obra em particular que tem capturado a imaginação de gerações de músicos. Sua habilidade em adaptar um tema barroco para o estilo romântico, ao mesmo tempo em que cria algo totalmente novo e original, é um testemunho de sua habilidade como compositor.

Ao explorar a “Passacaglia”, os músicos não apenas enfrentam um desafio técnico, mas também têm a oportunidade de se conectar com a rica tradição da música barroca através da lente do romantismo tardio. Esta obra, com sua estrutura elegante e variações intricadas, oferece uma jornada musical que é tanto uma homenagem ao passado quanto uma celebração da inovação artística.

Com cada performance, a “Passacaglia” de Halvorsen renova seu lugar no coração da música clássica, lembrando-nos da beleza e complexidade que a música pode alcançar. É uma peça que, sem dúvida, continuará a ser apreciada e estudada por muitas gerações futuras.

Música Nordestina: Arranjos e histórias sobre a Canção Feira de Mangaio de Sivuca e Glorinha Gadelha.

Se você não é nordestino como eu, já deve ter se perguntado: O que é a feira de Mangaio? Antes de falarmos sobre a música, vamos fazer uma viagem ao nordeste brasileiro para descobrir o seu significado.

A palavra original no dicionário é mangalho que refere-se a produtos de pequena lavoura e da indústria doméstica vendidos nas feiras e mercados do interior (Dicionário Aurélio). A forma de falar do interior do nordeste brasileiro alterou a palavra para mangaio. Sivuca e Glorinha Gadelha consagram o termo em sua obra-prima Feira de Mangaio.

A história da Música

Glorinha e Sivuca moravam em Nova York na década de 1970 e frente à grande movimentação na cidade tinham saudades das feiras de Itabaiana na Paraíba. Glorinha conta que escrevia a letra em qualquer papel que estivesse à mão e que usou até guardanapos de uma lanchonete de Nova York quando começaram sua primeira composição juntos.

A letra de Feira de Mangaio traz o regionalismo típico do nordeste, com palavras usadas na linguagem coloquial. A própria palavra mangaio, d´á origem a outros vocábulos como mangaieiro, que é o feirante que ali trabalha o dia todo e de vez em quando vai tomar sua cachacinha comendo lambu assado, outra palavra que em outras localidades é conhecida como nhambúm nambu ou Inhambu e é uma ave. O loambu assado, é um prato típico da região onde Sivuca nasceu.

Outros regionalismos são cabresto de cavalo, também comum em outras regiões é um tipo de corda que se utiliza para obter o controle do animal, fazendo-o olhar em determinada região. Já rabichola é uma tira de couro, usada para segurar um tipo de sela em animais de carga. A música traz ainda o verbo xaxar que significa roçar, ou preparar o campo para o plantio. Outra expressão pouco comum é alpargata de arrasto que é um calçado feito de tecido e sola de borracha ou corda. A expressão de arrasto sugere que o calçado é usado de forma a arrastá-la pelo chão de forma relaxada ou casual ou ainda significando que a ocasião está muito boa e não dá vontade ir embora.

Letra da Música

Fumo de rolo, arreio de cangaia
E eu tenho pra vender, quem quer comprar?
Bolo de milho, broa e cocada
Eu tenho pra vender, quem quer comprar?

Pé de moleque, alecrim, canela
Moleque, sai daqui! Me deixa trabaiar
E Zé saiu correndo pra feira de pássaros
E foi pássaro voando pra todo lugar

Tinha uma vendinha no canto da rua
Onde o mangaieiro ia se animar
Tomar uma bicada com lambu assado
E olhar pra Maria do Joá

Cabresto de cavalo e rabichola
Eu tenho pra vender, quem quer comprar?
Farinha, rapadura, e graviola
Eu tenho pra vender, quem quer comprar?

Pavio de candeeiro, panela de barro
Menino, eu vou-me embora, tenho que voltar
Xaxar o meu roçado que nem boi de carro
Alpargata de arrasto não quer me levar

Porque tem um sanfoneiro no canto da rua
Fazendo floreio pra gente dançar
Tem o Zefa de Purcina fazendo renda
E o ronco do fole sem parar

Mas é que tem um sanfoneiro no canto da rua
Fazendo floreio pra gente dançar
Tem o Zefa de Purcina fazendo renda
E o ronco do fole sem parar

Fumo de rolo, arreio de cangalha
Eu tenho pra vender, quem quer comprar?
Bolo de milho, broa e cocada
Eu tenho pra vender, quem quer comprar?

Pé de moleque, alecrim, canela
Moleque, sai daqui! Me deixa trabaiar
E Zé saiu correndo pra feira de pássaros
E foi pássaro voando em todo lugar

Tinha uma vendinha no canto da rua
Onde o mangaieiro ia se animar
Tomar uma bicada com lambu assado
E olhar pra Maria do Joá

Mas é que tem um sanfoneiro no canto da rua
Fazendo floreio pra gente dançar
Tem o Zefa de Purcina fazendo renda
E o ronco do fole sem parar

Curiosidades

Uma curiosidade é o nome artístico Sivuca. Você pode se perguntar : Por que Sivuca? Ele conta em entrevistas que quando começou sua carreira musical, foi até à radio de Itabaiana para se inscrever no programa de calouros. Ali conheceu o Maestro Nelson Ferreira. Após tocar diversas música, o maestro ficou espantado e disse: Mas vocÇe quer participar de programa de calouro tocando desse jeito? Nós vamos fazer um programa aqui amanhã. Chamou então o produtor e arranjou tudo para que o programa acontecesse. No entanto, o diretor da rádio, Sr. Arnaldo Moreira Pinto comentou que o nome dele, Severino Dias de Oliveira, parecia nome de empresa do interior. Nelson então propôs chamá-lo de Sivuca. Si faz referência a Severino e vuca ao vuco-vuco da sanfona. Assim nasceu o nome artístico Sivuca.

Arranjo para Violão e Bandolim

Originalmente Feira de Mangaio é uma música tocada com sanfona, mas neste post gostaria de apresentar uma versão para Bandolim e violão e outra para violino e violão.

Os arranjos mantém a melodia original, mas trazem uma alternativa interessante para apresentações com instrumentos de cordas ou para casos em que a banda não tenha sanfoneiros.

Arranjo para Violino e Violão

Versão para Violino e Violão

Você pode adquirir a partitura desse arranjo clicando no botão e será direcionaod para o site de partituras SheetMusicDirect.com. Nesta versão do arranjo, a partitura traz um arquivo em PDF contendo a partitura completa com os dois instrumentos e mostrando também a tablatura com acordes para violão. No mesmo arquivo você também encontra as partes em separado, sendo que a partitura do violão traz também a tablatura.

Arranjo para Bandolim e Violão

Versão para Bandolim e Violão

Nesta versão para Bandolim, além da tablatura para violão, o arquivo em pdf também traz a tablatura para bandolim. Da mesma forma que o arranjo anterior, o arquivo em PDF traz a versão completa, neste caso com partituras e tablaturas para ambos instrumentos, além das partes em separado.

Música sem Segredos
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