A História por Trás de “Odeon”: Uma Joia do Choro Brasileiro

Imagine-se caminhando pelas ruas do Rio de Janeiro no início do século XX. O som de um piano ecoa ao longe, misturando-se ao burburinho das pessoas, ao ritmo das carroças e ao calor úmido do verão carioca. De repente, uma melodia cativante chama sua atenção: é algo novo, mas ao mesmo tempo familiar, como se capturasse a alma da cidade em notas musicais. Essa melodia poderia muito bem ser “Odeon”, uma das criações mais famosas de Ernesto Nazareth, um compositor que sabia como ninguém transformar o cotidiano em arte. E a história por trás dessa música? Bom, é tão rica quanto os acordes que a compõem. Vamos mergulhar nela juntos, com calma, como quem aprecia uma boa roda de choro.

Ernesto Nazareth: O Homem que Viveu a Música

Antes de falarmos sobre “Odeon”, vale a pena conhecer um pouco o maestro por trás da obra. Ernesto Júlio de Nazareth nasceu no Rio de Janeiro, em 20 de março de 1863, numa época em que a cidade era um caldeirão cultural, fervilhando com influências europeias, africanas e indígenas. Filho de um despachante aduaneiro e de uma pianista amadora, ele teve seu primeiro contato com a música ainda criança, pelas mãos da mãe, Carolina, que o ensinou a tocar piano. Não demorou muito para que o talento do pequeno Ernesto ficasse evidente.

Com o tempo, Nazareth se tornou um pianista excepcional e um compositor prolífico, deixando um legado de mais de 200 peças, a maioria escrita para piano solo. Sua música é uma mistura única: ele trazia a sofisticação de compositores clássicos como Chopin e Liszt, mas dava a ela um sabor brasileiro, incorporando ritmos como o maxixe e o tango brasileiro. Esse jeito de unir o erudito ao popular fez dele uma figura essencial no desenvolvimento do choro, um gênero que é puro Brasil.

Nazareth viveu a música intensamente. Além de compor, ele trabalhava tocando piano em cinemas e teatros, acompanhando filmes mudos – uma prática comum na época. Era um artista do povo, mas com um pé na sala de concerto. E foi exatamente nesse cenário que “Odeon” nasceu.

“Odeon”: Uma Homenagem ao Cinema Carioca

Agora, vamos ao que interessa: a história de “Odeon”. A peça foi composta em 1910, num momento em que o Rio de Janeiro passava por uma transformação cultural. Uma das novidades da época era o Cinema Odeon, inaugurado na Cinelândia, coração do entretenimento carioca. Esse cinema não era apenas um lugar para ver filmes; era um símbolo de modernidade, um ponto de encontro para artistas, intelectuais e curiosos. E Nazareth, que já tocava em salas como essa, encontrou ali uma inspiração especial.

Conta-se que ele escreveu “Odeon” como uma homenagem àquele espaço. O nome da peça vem do próprio cinema, que por sua vez se inspirava numa tradição antiga: “Odeon” remete aos teatros gregos e romanos, locais de música e apresentações. No Brasil, o termo foi adotado para batizar cinemas e teatros, e o Odeon carioca era um dos mais emblemáticos. Assim, ao nomear sua composição, Nazareth não só celebrava o cinema, mas também conectava sua música a uma ideia maior de arte e cultura.

A data exata da composição é 1910, embora algumas fontes mencionem 1909 por causa da publicação pela Casa Mozart. O mais aceito, porém, é que ele a escreveu em 1910, consolidando-a como um marco daquele ano vibrante.

O Significado de “Odeon”: Um Tango com Alma Brasileira

“Odeon” é classificada como um tango brasileiro, mas não se engane pelo nome: esse tango não tem muito a ver com o drama passional da Argentina. No Brasil, o tango brasileiro é uma evolução do maxixe, cheio de síncopa e com um clima leve, quase dançante. Em “Odeon”, Nazareth captura isso perfeitamente, criando uma peça que é animada, mas com momentos de uma melancolia suave – algo que o choro faz como ninguém.

A estrutura da música segue um formato típico do choro: uma sequência de seções (A-B-A-C-A) que alternam melodias diferentes. A parte A é cheia de energia, com notas rápidas que parecem saltitar no piano. A B traz um tom mais calmo e cantado, enquanto a C introduz um novo tema, mantendo tudo fresco e interessante. É como uma conversa musical, com cada parte trazendo algo novo à mesa.

Para Nazareth, “Odeon” era mais do que uma simples composição. Era um reflexo do Rio de Janeiro da época: cosmopolita, alegre e cheio de vida. E o público logo percebeu isso.

Principais Gravações: De Nazareth a Elis Regina

“Odeon” não demorou a conquistar o coração dos brasileiros – e do mundo. Uma das primeiras gravações foi feita pelo próprio Nazareth, em 1912, num rolo de piano, uma espécie de “disco” da época. Ouvir essa versão é como viajar no tempo, sentindo a energia do compositor em cada nota.

Com o passar dos anos, a peça ganhou vida em várias interpretações. O violonista Dilermando Reis, por exemplo, fez um arranjo lindo para violão que ajudou a levar “Odeon” para além do piano. Já o bandolinista Jacob do Bandolim trouxe sua magia ao gravá-la, mostrando como ela se encaixa perfeitamente no universo do choro. O pianista Arthur Moreira Lima também deixou sua marca, com uma versão que destaca a riqueza técnica da obra.

Mas uma das reinvenções mais surpreendentes veio em 1968, quando Vinicius de Moraes escreveu uma nova letra para “Odeon”. Com versos como “Era um cinema chamado Odeon / Tinha na fachada um coração”, a música virou canção e foi gravada por nomes como Elis Regina e Nara Leão. A letra original é de Hubaldo Maurício, mas a versão de Vinícius trouxe um novo público à peça, provando que ela podia atravessar estilos e gerações.

O Papel de “Odeon” no Choro

Se o choro é o avô do samba e um parente distante do jazz, “Odeon” é um de seus hinos. Esse gênero nasceu no Brasil do século XIX, misturando danças europeias como a polca com ritmos afro-brasileiros. O resultado é uma música cheia de improvisação, técnica e emoção – e “Odeon” tem tudo isso.

A peça é um exemplo clássico do choro por sua estrutura, pelo uso de síncopas e pela forma como equilibra virtuosismo e melodia. Composta numa época em que o choro estava se firmando como gênero, ela ajudou a mostrar do que essa música era capaz. Não é à toa que até hoje ela é presença garantida nas rodas de choro, onde músicos se reúnem para tocar e improvisar.

Nazareth, aliás, é visto como um dos pilares do choro. Ele abriu caminho para outros gigantes, como Pixinguinha, que levaram o gênero a novos patamares. E “Odeon” foi uma das peças que pavimentaram essa estrada.

Influências na Música Moderna

A influência de “Odeon” não parou no choro. Sua melodia marcante e sua harmonia rica ecoaram em outros estilos ao longo do tempo. Heitor Villa-Lobos, por exemplo, admirava Nazareth e bebeu dessa fonte para criar suas obras eruditas com sotaque brasileiro. Na música popular, “Odeon” inspirou arranjos na bossa nova e até no jazz, com músicos explorando suas possibilidades de improviso.

A ideia de misturar o sofisticado com o acessível, tão presente em “Odeon”, também antecipou movimentos como a bossa nova, que anos depois uniria samba e harmonias complexas. E mesmo em gêneros mais distantes, como o rock instrumental, a estrutura melódica da peça já serviu de base para experimentações. É uma música que não se prende a uma época ou estilo – ela simplesmente continua conversando com quem a ouve.

Arranjos para Violão e Piano

Como “Odeon” nasceu no piano, vamos começar por aí. A versão original é um desafio gostoso para pianistas: cheia de escalas rápidas, arpejos e mudanças de humor. Tocar “Odeon” é como dançar com as teclas, exigindo técnica, mas também sensibilidade para capturar sua leveza. Por isso, ela é tão comum em recitais e concursos de piano no Brasil.

Já o violão entrou na história por causa do choro e da popularidade do instrumento entre os brasileiros. Arranjos para violão solo, como os de Dilermando Reis, rearranjam a peça para as seis cordas, mantendo sua essência. Em grupos, o violão muitas vezes faz o acompanhamento, com acordes e contratempos que sustentam a melodia principal. É uma adaptação natural, já que o violão é quase um símbolo da música brasileira.

Arranjo para Violino, Violão e Baixo Acústico

Outros Instrumentos: Um Banquete Musical

No choro, “Odeon” ganha vida em várias formações. O bandolim, com seu som agudo e cristalino, é um dos favoritos – pense em Jacob do Bandolim dedilhando a melodia com aquele swing único. A flauta, ágil e expressiva, também brilha, trazendo leveza às passagens rápidas e um tom cantado às partes mais calmas.

O clarinete, com seu timbre quente, adiciona uma camada de emoção à peça, enquanto o violino traz uma qualidade lírica que faz a melodia soar como uma voz. Esses instrumentos não só tocam o que Nazareth escreveu, mas também improvisam, criando variações que são a alma do choro. É comum ouvir “Odeon” numa roda com essa turma toda – bandolim, flauta, clarinete, violino – cada um dando seu toque especial.

Arranjo para Bandolim e Violão

Um Legado que Não Para de Tocar

Mais de cem anos depois de ser composta, “Odeon” segue viva. Ela é um pedaço do Rio de Janeiro de 1910, mas também é atemporal, conectando passado e presente com suas notas. Seja no piano original, no dedilhado do violão ou na improvisação de uma roda de choro, a música de Nazareth continua a encantar.

Ao contar essa história, celebramos não só “Odeon”, mas também Ernesto Nazareth – um compositor que transformou o cotidiano em arte e ajudou a dar ao Brasil uma voz musical única. Que tal pegar um café, escolher uma gravação e deixar “Odeon” te levar nessa viagem? A música está aí, esperando por você.

Outros Títulos e Produtos

Partitura para Piano Solo (Novalo Music)

Odeon, for guitar: Tango brasileiro op.146 (English Edition) 

Villa-Lobos: Uma Jornada Sonora pela Cultura brasileira.

Prepare-se para uma viagem fascinante pela vida e obra de Heitor Villa-Lobos, o maestro que revolucionou a paisagem sonora brasileira e a levou ao palco mundial. Villa-Lobos, mais do que um simples compositor, foi um verdadeiro alquimista sonoro. Ele conseguiu fundir a rica música popular brasileira com a tradição clássica europeia, criando um universo musical único e inconfundível.

Raízes Cariocas e Alma Viajante

Nossa jornada começa no Rio de Janeiro em 1887, onde Heitor Villa-Lobos nasceu em meio a um ambiente cultural vibrante. Filho de um violoncelista amador e de uma família que amava música, Villa-Lobos demonstrou um talento excepcional desde cedo. O violão e o violoncelo se tornaram seus inseparáveis companheiros, abrindo as portas para um universo de possibilidades sonoras.

A inquietação, no entanto, pulsava em suas veias. Insatisfeito com a educação musical formal, Villa-Lobos decidiu explorar o Brasil profundo, absorvendo as melodias e ritmos das mais diversas regiões. Do batuque do samba carioca ao ritmo nordestino, passando pela energia contagiante do frevo pernambucano, cada experiência moldou sua identidade musical.

A Música como Instrumento de Educação

Villa-Lobos não se restringiu apenas à composição e regência. Ele sonhava com um Brasil onde a música fosse acessível a todos, servindo como um instrumento de educação e transformação social. Sua visão inovadora levou à criação do Orfeão dos Coros Escolares, um projeto que introduziu o canto coral nas escolas públicas, despertando o amor pela música em milhares de crianças.

Villa-Lobos acreditava que a música tinha o poder de despertar a sensibilidade, a criatividade e o senso de coletividade. Para ele, a educação musical era essencial para a formação do cidadão e para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

Bachianas Brasileiras

Ao longo de sua prolífica carreira, Villa-Lobos compôs uma vasta obra que abrange desde peças para violão solo até sinfonias e óperas. As Bachianas Brasileiras é uma das obras mais conhecidas internacionalmente do compositor e são verdadeiras obras-primas.

Nas Bachianas Brasileiras, Villa-Lobos realiza um diálogo musical entre o compositor alemão Johann Sebastian Bach e a música popular brasileira. Em nove suítes, ele mescla a complexidade da música barroca com os ritmos e melodias do folclore brasileiro, criando uma obra de beleza e originalidade surpreendentes.

As Bachianas são um exemplo da capacidade de Villa-Lobos de transcender as fronteiras entre os gêneros musicais. Ele demonstra que a música popular brasileira, muitas vezes vista como “menor”, pode dialogar em pé de igualdade com a tradição erudita europeia.

Ao todo as Bachianas são compostas de nove composições. Os movimentos possuem nomes clássicos como por exemplo, Introdução, mas entre parêntesis trazem alguma palavra em português como por exemplo Embolada, na Bachianas N.o 1. Essa é uma das maneiras de Villa-Lobos envocar a cultura brasileira em sua obra.

Bachianas No. 1

No vídeo a seguir você pode ouvir as Bachianas N0. 1 interpretada pela Orquestra Filarmônica de Berlim. Esta obra possui três movimentos e foi composta para Cellos. O primeiro movimento é a Introdução (Embolada), o segundo é o Prelúdio (Modinha) e o terceiro uma Fuga (Conversa)

Bachianas No. 2

Nas Bachianas No.2 encontramos o famoso tema “O Trenzinho do Caipira”. Villa-Lobos incorpora em sua música os sons do da viagem de trem através dos instrumentos da orquestra. A chegada do trem na estação e o barulho dos freios é tocada de forma impressionante pelos violinos.

O ritmo constante e pulsante imita o som de um trem em movimento, os instrumentos de sopro, como trompetes e trombones, são usados para imitar o apito do trem. A percussão, especialmente o prato, é usada para simular o som do trem passando por trilhos e cruzamentos e as cordas são usadas para criar uma textura sonora que lembra o barulho contínuo do trem.

No vídeo a seguir você pode ouvir a obra completa interpretada pela Orquestra Filarmônica de Minas Gerais. A composição possui 4 movimentos, sendo: Prelúdio (O canto do capadócio) , Ária (O canto da nossa terra), Dança (Lembrança do sertão) e Tocata (O trenzinho do caipira).

Bachianas No. 3

As Bachianas No. 3 é um concerto para piano e orquestra, embora Villa-Lobos não tenha dado nome de concerto à obra.

A obra tem quatro movimentos: 1. Prelúdio (Ponteio) 2. Fantasia (Devaneio) 3. Ária (Modinha) 4. Toccata (Picapau). O Prelúdio (Ponteio) Este movimento é uma introdução lenta e meditativa que estabelece o tom para a peça. É caracterizado por sua melodia lírica e harmonia rica. A Fantasia (Devaneio)  é o movimento mais longo e complexo da peça. Ele apresenta uma série de variações temáticas e é marcado por sua estrutura livre e improvisada. A Ária (Modinha) é uma canção lírica e emotiva. É uma homenagem à modinha, um tipo de canção popular brasileira e a Toccata (Picapau)  é o movimento final e é caracterizado por seu ritmo rápido e energético. É uma representação musical do pássaro picapau, conhecido por seu bater rápido e repetitivo.

No vídeo a seguir você pode ouvir a Bachianas número 3 completa interpretada pela Orquestra Filarmônica Húngara.

Bachianas No.4

As Bachianas No.4 foi composta originalmente para piano. No entanto, Villa-Lobos também fez uma transcrição para orquestra em 1942. Portanto, a peça pode ser executada tanto em uma configuração solo de piano quanto em uma configuração orquestral. A versão orquestral é conhecida por sua rica instrumentação e a versão para piano destaca as convergências entre as linguagens barroca e brasileira

A obra possui quatro movimentos. São eles: 1.Prelúdio (Introdução) 2. Coral (Canto do sertão) 3. Ária (Cantiga) e 4. Dança (Miudinho).

No vídeo a seguir você pode ouvir a Bachianas número 3 completa interpretada pela Orquestra Sinfônica de São Paulo.

Bachianas No. 5

A Bachianas No. 5 foi composta para oito violoncelos e voz soprano. É uma das mais conhecidas obras de Villa-Lobos internacionamente e foi a mais gravada no Brasil e no âmbito internacional.

No vídeo a seguir você pode ouvir a Bachianas número 5 interpretada pela Orquestra Sinfônica de Berlin e na voz da soprano Anna Prohaska. Esta Bachiana possui dois movimentos escritos para 8 violoncellos e Soprano.

Primeiro Movimento (Ária/Cantilena):

  • Este movimento é caracterizado por uma melodia vocal expressiva, apoiada pela harmonia dos violoncelos.
  • A letra é um poema de Ruth Correia Leite Cardoso, que Villa-Lobos escolheu por sua beleza lírica e conexão com a natureza.
  • A prosódia do poema é cuidadosamente considerada na composição, com a melodia e o ritmo da música refletindo o fluxo natural das palavras.

Segundo Movimento (Dança/Martelo):

  • Este movimento é uma representação musical dos pássaros brasileiros, com a letra de Manuel Bandeira descrevendo várias espécies em seu habitat natural.
  • A música neste movimento é mais animada e rítmica, refletindo a energia e a diversidade da vida selvagem brasileira.
  • O maestro enfatiza a importância de conhecer e entender ambos os movimentos para apreciar plenamente a peça.

Bachianas No. 6

As Bachianas No.6 é a mais curta de todas e possuiu dois movimentos. O primeiro movimento combina choro com seresta e contraponto e o segundo movimento é descrito como mais livre e improvisatório. Ele chama o primeiro movimento de Ária (Choro) e Fantasia (Allegro).

No vídeo a seguir você pode ouvir a Bachianas número 6 completa interpretada pela Orquestra Sinfônica de Porto Alegre. Villa-Lobos brinca com elementos da musica popular brasileira e a música barroca.

Bachianas No. 7

A Bachianas No. 7 foi composta com quatro movimentos: O Prelúdio (Ponteio), a Giga (Quadrilha Caipira) , a Toccata (Desafio) e Fuga (Conversa). Vale um destaque para a palavra Giga que é uma dança irlandesa. Villa-Lobos também apresenta o segundo movimento como uma quadrilha caipira que também é uma dança. Dessa forma, ele mais uma vez conecta a cultura brasileira com o barroco.

No vídeo a seguir a Bachianas Brasileiras No.7 é interpretada pela Orquestra Sinfônica da Radio e Televisão Espanhola (RTVE).

Bachianas No. 8

As Bachianas No. 8 é dividida em 4 movimentos: Prelúdio (Adágio), Ária (Modinha), Toccata (Catira Batida) e Fuga. Mais uma vez vemos ritmos brasileiros como a Catira mostrando o nacionalismo do compositor.

Bachianas Brasileiras No. 8, possui três movimentos: Ária, Toccata (Catira Batida) e Fuga. No vídeo a seguir você pode ouví-la interpretada pela Orquestra Jovem de Madrid.

Bachianas No. 9

A Bachianas Brasileira No. 9 possui dois movimentos, sendo um Prelúdio (Vagaroso e Místico) e uma Fuga (Pouco Apressado). No vídeo a seguir você pode ouvir as Bachianas No.9 interpretada pela Orquestra Filarmônica de Fresno.

Choros: A Alma do Brasil em Movimento 

Os Choros são uma série de composições que exploram a diversidade rítmica e instrumental da música brasileira. Do solo de violão ao conjunto de câmara, os Choros capturam a essência do choro, um gênero musical tipicamente brasileiro que combina elementos de música europeia, africana e indígena.

Cada choro é um universo em si, com suas particularidades e sua energia contagiante. Em conjunto, eles formam um painel vibrante da cultura brasileira, uma celebração da improvisação, da virtuosidade e da alegria de fazer música.

Heitor Villa-Lobos, o famoso compositor brasileiro, compôs uma série de 14 obras chamadas “Choros”. No entanto, duas dessas obras foram perdidas. Portanto, atualmente, temos 12 “Choros” de Villa-Lobos disponíveis. Essas obras foram compostas entre 1920 e 1929. Cada “Choro” é único e apresenta uma variedade de estilos musicais.

Choro No.1 : Violão

Villa-Lobos compôs choros para vários instrumentos. O Choro No.1, por exemplo foi composto para violão. O vídeo a seguir mostra esta obra interpretada por Julian Bream.

Choro No.2 : Flauta e Clarinete

Já o choro No.2 foi composto para flauta e clarinete. O vídeo a seguir mostra a obra interpretada por Marcelo Bomfim e Cristiano Alves.

A Seguir mostramos uma lista de todos os choros compostos por Villa-Lobos com os respectivos instrumentos para os quais foram compostos:

Lista dos Choros

  1. Choro nº 1: Violão
  2. Choro nº 2: Flauta e clarinete
  3. Choro nº 3 (“Pica-pau”): Coro masculino ou sete instrumentos de sopro, ou ambos juntos
  4. Choro nº 4: Três trompas e trombone
  5. Choro nº 5 (“Alma brasileira”): Piano
  6. Choro nº 6: Orquestra
  7. Choro nº 7 (“Settimino”): Flauta, oboé, clarinete, saxofone, fagote, violino, violoncelo, com o tam-tam ad lib
  8. Choro nº 8: Orquestra com 2 pianos
  9. Choro nº 9: Orquestra
  10. Choro nº 10 (“Rasga o coração”): Coro e orquestra
  11. Choro nº 11: Piano e orquestra
  12. Choro nº 12: Orquestra
  13. Choro nº 13: Duas orquestras e bandas (agora perdido)
  14. Choro nº 14: Orquestra, banda e coro (agora perdido)

O Legado de Villa-Lobos: Uma Sinfonia Inacabada

Heitor Villa-Lobos faleceu em 1959, deixando para trás um legado musical inestimável. Sua obra continua a inspirar gerações de músicos e compositores, dentro e fora do Brasil. Sua visão de uma música brasileira universal, que dialoga com o mundo sem perder suas raízes, permanece atual e inspiradora.

Villa-Lobos nos ensinou que a música é um instrumento poderoso de expressão, educação e transformação social. Ele nos mostrou que a riqueza cultural do Brasil é um tesouro a ser explorado e compartilhado com o mundo. Sua música é uma sinfonia inacabada, um convite para continuarmos a construir um país mais justo, mais humano, mais musical.

Como Explorar o Universo Sonoro de Villa-Lobos? 

Se você deseja se aventurar pelo universo sonoro de Villa-Lobos, aqui está uma lista de suas composições:

Heitor Villa-Lobos foi um prolífico compositor brasileiro, e suas obras abrangem uma variedade de gêneros. Aqui estão algumas de suas composições mais notáveis:

Choros:

  • Introdução aos Choros, para violão e orquestra (1929)
  • Choro Nº 1 para violão (1920)
  • Choro Nº 2 para flauta e clarinete (1924)
  • Choro Nº 3 “Pica-páo” (Pica-pau) para clarinete, fagote, saxofone, 3 trompas e trombone, ou para coro masculino, ou os dois juntos (1925)
  • Choro Nº 4 para 3 trompas e trombone (1926)
  • Choro Nº 5 para piano (1925) “Alma brasileira”
  • Choro Nº 6 para orquestra (1926)
  • Choro Nº 7 “Settimino” para flauta, oboé, clarinete, saxofone, fagote, violino, violoncelo, com o tam-tam ad lib. (1924)
  • Choro Nº 8, para orquestra com 2 pianos (1925)
  • Choro Nº 9, para orquestra (1929)
  • Choro Nº 10 para coro e orquestra (1926) “Rasga o coração”
  • Choro Nº 11 para piano e orquestra (1928)
  • Choro Nº 12, para orquestra (1929)
  • Choro Nº 13 para 2 orquestras e bandas (1929) agora perdido
  • Choro Nº 14 para orquestra, banda e coro (1928) agora perdido
  • Choro bis, para violino e violoncelo (1928-29)
  • Quinteto (em forma de choros) para flauta, oboé, trompa, clarinete e fagote (1928); arr. flauta, oboé, clarinete, trompa, fagote (1951)

Bachianas Brasileiras:

  • N° 1 para pelo menos 8 violoncelos (1930-38)
  • Nº 2 para orquestra (1930)
  • Nº 3 para piano e orquestra (1938)
  • Nº 4 para piano (1941)
  • Nº 5 para voz e, pelo menos, 8 violoncelos (1945)
  • Nº 6 para flauta e fagote (1938)
  • Nº 7 para orquestra (1942)
  • Nº 8 para orquestra (1944)
  • Nº 9, para coro ou orquestra de cordas (1945)

Concertos:

  • Suíte para piano e orquestra (1913)
  • Concerto nº 1 para violoncelo e orquestra (1915)
  • Fantasia em movimentos mistos para violino e orquestra (1921)
  • O Martírio dos Insetos para violino e orquestra (1925)
  • Momoprecoce, Fantasia para piano e orquestra (1929) ou banda (1931)
  • Ciranda das Sete Notas para fagote e orquestra de cordas (1933)
  • Concerto nº 1 para piano e orquestra (1945)
  • Concerto nº 2 para piano e orquestra (1948)
  • Fantasia para saxofone soprano, três trompas e cordas (1948)
  • Concerto para violão e orquestra Fantasia Concertante (1951), para Andrés Segovia
  • Concerto nº 3 para piano e orquestra (1957)
  • Concerto nº 4 para piano e orquestra (1952)
  • Concerto para harpa e orquestra (1953), para Zabaleta
  • Concerto nº 2 para violoncelo e orquestra (1953)

Outras composições notáveis incluem “Cair da tarde”, “Evocação”, “Melodia sentimental”, “Miudinho”, “O Canto do Uirapuru”, “Quadrilha”, “Descobrimento do Brasil”, “Cantinela”, “A floresta do Amazonas”, “Melodia Sentimental”, “Uirapuru”, “Rudepôema”.

Explore, experimente, descubra! A música de Villa-Lobos é uma porta de entrada para um mundo de beleza, emoção e descobertas.

Música sem Segredos
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