Viola Sertaneja – Faça sua Tablatura no Musescore

Quem curte tocar viola caipira, também conhecida como viola sertaneja, tem muitas vezes dificuldade de encontrar tablaturas para executar solos, ou mesmo passagens durante a música. Por que não preparar suas próprias tablaturas? Neste post, vamos dar o passo a passo para que você possa fazer isso usando um software gratuito para edição musical.

O software

Para construir a tablatura, usaremos o Musescore. Este é um editor de partituras open source, em outras palavras, gratuito. Mais do que gratuito, é um programa que conta com uma grande rede de músicos entusiastas e colaboradores que o mantém atualizado e sem nada a desejar em relação aos softwares pago. Atualmente está na versão 3.6.2 e a versão 4 já está em desenvolvimento.

Apesar de ser um programa bastante completo, o Musescore não possui em sua lista de instrumentos a viola caipira. Este é um instrumento muito popular no Brasil, mas pouco conhecido e pouco usado fora do país. Então, para que seja possível implementar a tablatura de uma viola caipira, teremos que construí-la do zero ou partir da tablatura de um violão acústico.

Afinações da Viola

O primeiro passo neste processo é escolher a afinação da viola que se quer utilizar. Neste exemplo, usaremos a afinação Cebolão em Mi, que dá o acorde de mi maior quando as cordas do instrumento são tocadas soltas.

Para mais informações sobre afinações clicando aqui.

Neste caso da afinação Cebolão em Mi, ficaremos da seguinte forma.

Notas da afinação Cebolão em Mi na viola Sertaneja

As cordas da viola são contadas da mesma forma que as do violão, ou seja, de baixo para cima. Desta forma, o primeiro par é afinado em mi, sendo as duas notas na mesma altura. As cordas 3 e 4 são afinadas também na mesma altura, mas em si. Para a afinação Cebolão em mi, o primeiro e o segundo pares têm a mesma afinação que as cordas 1 e 2 do violão.

A partir do terceiro par, as cordas da viola são oitavadas. Assim, o terceiro par é afinado em sol sustenido, mas com distâncias de uma oitava. O mesmo ocorre com os pares 4 e 5 que são afinados em mi e si respectivamente.

Alterando a Tablatura do violão

O próximo passo é criar uma nova partitura ou editar instrumentos de uma existente. Para isso, vá em Arquivo>Novo. Isso vai abrir a janela de configuração de uma nova partitura. Clique em continuar e chegará na janela de escolha de instrumentos. Clique em escolher instrumento e depois em continuar. Abra a opção cordas dedilhadas e escolha a opção tablatura para violão clássico ou acústico. Adicione à partitura e clique em concluir.

Você verá a sua tablatura conforme a figura a seguir.

Tablatura para violão
Tablatura para violão

A tablatura para violão possui seis cordas. No nosso caso trabalharemos com cinco pares. Então a primeira coisa a fazer é apagar uma das cordas e na sequência mudar a afinação das demais.

Para fazer isso, clique sobre o primeiro compasso e clique com o botão direito. Agora escolha a opção editar partitura.

editar partitura no Musescore
Opção de editar Partitura

Você verá uma caixa de diálogo como a da figura a seguir:

Caixa de Diálogo para editar a partitura

No item propriedades da Pauta, vemos que a tablatura tem 6 linhas, que referem-se a cada corda do violão. Vamos então alterar para 5 linhas. No item Propriedades das Partes, vamos alterar os nomes para viola. Após estas alterações nossa tablatura ficará assim:

Alterando o número de linhas

Tablatura após primeira alteração.

Agora precisamos alterar as cordas. Para fazer isso, clique em Editar dados das cordas. Você verá que ainda aparecem 6 cordas.

Editando as Cordas

Dados das Cordas na Partitura

Então vamos apagar o mi mais grave. As cordas 1 e dois vamos manter como estão. Na corda 3 vamos alterar para sol sustenido (ou lá bemol). Em relação às alturas, precisamos identifica-las, e para isso usaremos a figura a seguir:

Referência para altura das cordas da viola

O primeiro par ficará E4, o segundo par B3, o terceiro par G#3, o quinto par E3 e sexto par B2. Para alterar os dados das cordas, basta dar dois cliques:

Janela com opção de alteração das cordas.

Neste exemplo, não foi possível encontrar sol sustenido, então usamos l´á bemol .

Após fazer estas alterações ficaremos da seguinte forma:

Cordas após alteração

Então basta dar ok, aplicar e ok de novo na janela maior. Nossa tablatura agora reflete as cordas da viola.

Inserindo a Música

Se você tiver a sua partitura escrita em outro arquivo basta selecionar, copiar e colar nesta tablatura. Se preferir escreve-la na clave sol neste mesmo arquivo, basta criar outro instrumento, preferencialmente o violão, já que usamos a partitura para violão como base. Se usar outro instrumento, pode ser que suas notas caiam fora do range, uma vez que o violão soa uma oitava abaixo do que ele está escrito.

Neste exemplo vamos inserir um novo instrumento, o violão, mas agora na clave de sol. Para isso vá em Editar Instrumento.

Editar Instrumento

Agora escolha o violão acústico e o adicione à partitura clicando em Add to Score e depois em ok.

Sua partitura ficará da seguinte forma:

Partitura para violão e Tablatura para viola
Partitura para violão e Tablatura para viola

Agora escreva sua música na partitura de violão, depois basta selecionar, copiar e colar na Tablatura de viola. No exemplo abaixo, mostramos o trecho de uma música escrita na partitura de violão e a tablatura para a viola após copiar e colar.

Trecho de música em Tablatura para viola e partitura para violão

Explicação em Vídeo

Veja também este tutorial em vídeo em nosso canal no You Tube.

Para Saber Mais

Viola Caipira- Wikipedia : https://pt.wikipedia.org/wiki/Viola_caipira.

Cancioneiro de Viola Caipira – Volume 1

Projeto Guri – Livro Viola Caipira – Básico 1, livro didático, Autor: João Paulo Amaralhttp://www.projetoguri.org.br/novosite/wp-content/uploads/2017/11/Livro-Educador-Viola-Caipira_2011.pdfhttp://www.projetoguri.org.br/livros-didaticos/.

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Como fazer para que suas partituras no MuseScore tenham som profissional

Você escreveu sua partitura usando o Musescore e agora quer ouvi-la pra ver como ficou. Ou ainda, você quer gerar um arquivo áudio para publicá-la, mas o som não está legal e não parece um instrumento de verdade. Você não está sozinho. Mas e se eu te disser que é possível carregar samples de instrumento no Musescore e deixá-lo com o som daquele piano profissional, ou daquela guitarra fantástica? Então, isso ´é possível. Agora você não precisa mais ter que exportar em midi para sua DAW (digital audio workstation).

SoundFonts

Para fazer isso, você vai precisar baixar os soundfonts e movê-los na pasta Soundfonts do Musescore. Este procedimento é bastante simples, mas não são todas as pessoas que trabalham com o Musescore que sabem que isso é possível.

SoundFonts são códigos programados pelo sintetizador ou amostras de áudio de instrumentos reais que foram gravados. Se você tem um teclado musical, muito provavelmente já baixou nele algum soundfont. O que precisamos aqui são soundfonts específicos que o Musescore reconhece. Não precisa ficar em pânico. Você vai poder baixá-los gratuitamente na internet.

O Musescore usa diferentes tipos de arquivos com extensões diferentes. Os arquivos com extensão sf2 e sf3 são do tipo MIDI, ou seja, é um código que diz ao computador de que forma produzir o som nos alto falantes. Já os arquivos com extensões sfz são arquivos de samples, ou seja, cada nota de um instrumento real foi gravada e estão dentro do arquivo compactado que você vai baixar. Isso significa que arquivos com extensão sfz são maiores e ocupam mais espaço de disco, por outro lado, se forem criados e gravados de forma profissional possuem um resultado fantástico.

Baixando os SoundFonts

Vamos então começar a baixar alguns soundfonts. Há vários sites na internet onde você pode encontrá-los e eu vou usar um deles para exemplificar. Você pode fazer a pesquisa no Google por soundfonts4U ou clicar no link : https://sites.google.com/site/soundfonts4u/ . Tire um tempo para explorar os diversos timbres disponíveis. Há inclusive links para ouvi-los. Então escolha aqueles que agradam mais e mãos a obra.

Instalando no Musescore

Após baixar os arquivos, chegou a hora de movê-los para a pasta correta dentro do Musescore. Para Windows e Mac, esta pasta fica dentro da pasta Documentos do seu computador. Abra a pasta Documentos e encontre a pasta Musescore. Se você tem o Musescore 3 instalado, verá uma pasta chamada Musescore3. Clique nela e encontrará diversas outras, sendo que uma delas é a pasta SoundFonts.

Se você tem muitos arquivos de soundfonts , eles irão ocupar muito espaço em seu computador. Uma alternativa é colocá-los em um HD externo em uma pasta de mesmo nome e criar um atalho dentro da pasta Musescore com o mesmo nome. Neste caso você pode apagar ou renomear a pasta Soundfont original, já que o Musescore entenderá que os arquivos estão no atalho. Eu fiz exatamente isso no meu Mac e você pode ver na figura a seguir que a pasta SoundFont é na verdade um atalho. No Windowns funciona da mesma maneira.

Pasta SoundFont no Mac como atalho

A figura a seguir, mostra em detalhes os arquivos que eu baixei e movi para esta pasta no meu HD e depois gerei o atalho dentro da pasta Musescore.

Arquivos Soundfonts no Mac

Carregando os Soundfonts no Musescore

Se você já baixou e moveu os seus arquivos para dentro da pasta Soundfont, seu próximo passo agora será abrir o Musescore. Vale lembrar que arquivos compactados devem ser descompactados antes. Ao abrir o Musescore você verá na tela de entrada a informação que ele está carregando os arquivos de soundfonts.

Musescore iniciando e carregando os SoundFonts
Musescore iniciando e carregando os SoundFonts

Com o Musescore aberto, vá ao menu principal e clique em visualizar (ou view), então busque a opção sintetizador (Synthesizer). Isso abrirá uma janela de controle do sintetizador na qual você verá várias abas. Uma delas é a aba Fluid, seguida da aba Zerbeus (são as duas primeiras). Os arquivos de extensões sf2 e sf3 ficam visíveis na aba Fluid e os de extensão sfz na aba Zerbeus. No entanto, quando você abre esta janela ainda não vê os arquivos que baixou, apenas os que já vêm com o Musescore.

Janela do Sintetizador do Musescore
Janela do Sintetizador do Musescore

Para carregar os arquivos baixados, clique em adicionar (Add). Ao fazer isso, verá uma lista de arquivos sf2 e sf3 (lembrando que estamos na aba Fluid).

Abrindo SoundFonts no Musescore
Abrindo SoundFonts no Musescore

No exemplo a seguir, eu carreguei um piano Rhodes da minha lista.

Rhodes EP Plus dos arquivos SoundFonts
Rhodes EP Plus dos arquivos SoundFonts

Se eu for até o Mixer (Clique em Visualizar (View) e então em Mixer) você verá a lista de instrumentos careregadas com com este arquivos. Veja que o arquivo Rhodes está na lista e traz algumas variações. Toque sua música e sinta as diferenças de timbres.

Mixer mostrando Soundfont Rhodes carregado
Mixer mostrando Soundfont Rhodes carregado

Trabalhando com Samples

Agora vamos fazer o mesmo com os arquivos de samples (arquivos que possuem extenção sfz). Abra o sintetizador novamente, mas desta vez abra a aba Zerbeus. Você verá vários arquivos que já vêm com o MuseScore. Então clique em adicionar (Add) e carregue e poderá carregar os arquivos que baixou.

No exemplo seguinte, eu baixei apenas um arquivo sfz e você pode ver que ele cria uma pasta (já descompactada) com os samples que são arquivos de áudio. Na verdade é um arquivo wave para cada nota do instrumento.

Samples na pasta SoundFont
Samples na pasta SoundFont

Veja o post em vídeo

Como mudar os timbres dos instrumentos no MuseScore
Música sem Segredos
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