Afinações da Viola Caipira

A viola caipira faz parte da história da música brasileira. É impossível pensar na música sertaneja sem a o som característico da viola. Ela também é conhecida como viola sertaneja ou cabocla, possui cinco pares de cordas e pode ser afinada de diversas formas.

Anatomia do Instrumento

A viola caipira é bastante parecida com o violão, mas tem o corpo um pouco menor. Além disso, enquanto o violão padrão tem 6 cordas, a viola tem dez que devem ser vistos como cinco pares, já que reproduzem a mesma nota musica.

Cordas da Viola sertaneja
A Viola Sertaneja possui 5 pares de cordas

A viola tem outra particularidade que a difere , por exemplo do violão de doze cordas, por exemplo. Enquanto o violão de doze cordas tem pares idênticos, na viola, as três últimas cordas (lembrando que a contagem das cordas se faz de baixo para cima), são oitavadas. Assim, o primeiro e o segundo par são idênticos, ou seja a primeira e a segunda cordas são iguais e a terceira e quarta também são iguais. Já a quinta corda está uma oitava abaixo da sexta, a sétima corda está uma oitava abaixo da oitava e a nona corda também está uma oitava abaixo em relação à décima. A figura a seguir mostra esta disposição.

Evitamos falar neste momento o nome das notas de cada corda porque isso vai depender da afinação que for utilizada.

Afinações da viola Caipira

As afinações da viola caipira possuem nomes que as identifica. As mais conhecidas são: Cebolão (que pode ser em ré ou em mi maior), Rio Acima e Rio Abaixo são outras duas afinações usadas e Boiadeira. Há ainda a afinação Paraguaçu, muito usada pelos repentistas do nordeste do Brasil.

Afinação Cebolão em Ré

A afinação Cebolão possui, como já adiantamos, duas variantes: Uma afinada em ré maior e outra em mi maior. Na afinação em ré maior, as notas das cordas soltas seguindo a sequência de baixo para cima, ou seja, do primeiro par ao quinto par são: Ré (D), Lá (A), Fá# (F#), Ré (D) e lá (A). A figura a seguir mostra as notação das notas na partituras.

Afinação da viola caipira em cebolão em ré
Afinação Cebolão em ré

Percebemos que as cordas tocadas soltas produzem o acorde de ré maior (D,F#,A). As notas produzidas pelo quinto par são repetições do primeiro par e o mesmo padrão se repete entre o segundo e o quinto par. No quarto e quinto par, porém, há uma separação de uma oitava entre as notas que dá o som característico da viola sertaneja.

Afinação Cebolão em Mi

A afinação cebolão em mi, segue a mesma lógica da cebolão em ré, mas neste caso, cada corda é afinada um tom acima, o que dá uma maior tensão nas cordas. agora passamos a ter as notas do acorde de mi maior (E, G#,B). Assim, no primeiro par temos mi (E), no segundo par temos nota si (B), no terceiro par a nota sol# (G#), no quarto par mi (E) novamente e no quinto par si (B).

afinação da viola caipira- cebolão em mi
Afinação cebolão em mi

Afinação Boiadeira

A afinação boiadeira difere da cebolão em ré apenas na afinação do quinto par que ao invés de ser afinado em lá é em sol. desta forma, o primeiro par é afinado em ré (D), o segundo par em lá (A), o terceiro em fá# (F#), o quarto par em ré (D) e o quinto par que caracteriza a afinação boiadeira é afinado em sol (G). Desta forma fica: D, A, F#, D e G.

Afinação Boiadeira da viola caipira
Afinação Boiadeira

Afinação Rio Abaixo

Na afinação Rio Abaixo, a viola é afinada em sol maior (notas do acorde de G: G,B,D). Desta forma, o primeiro par é afinado em ré (D), o segundo par em si (B), o terceiro par em sol (G), o quarto par em ré (D) e o quinto par em sol (G).

Afinação da viola caipira Rio Abaixo
Afinação Rio Abaixo

Afinação Rio Acima

A afinação Rio Acima é bem diferente das outras. O primeiro par é afinado em em mi (E), o segundo par em dó (C), o terceiro par em sol (G), o quarto par em mi (E) e o quinto par em dó (C). O acorde que soa com as cordas soltas é dó maior (C, E, G).

Afinação da viola caipira rio Acima
Afinação Rio Acima

Afinação Paraguaçu

A afinação Paraguaçu, bastante usada por repentistas no nordeste brasileiro tem a seguinte afinação: primeiro par afinado em ré (D), segundo par afinado em si (B), terceiro par em sol (G), quarto par em ré (D) e quinto par em lá (A).

Afinação Paraguaçu na viola caipira
Afinação Paraguaçu
Afinação Paraguaçu

Afinação Natural

Finalmente, temos a afinação natural que possui as mesma notas da afinação do violão. O primeiro par é afinado em mi (E), o segundo em si (B), o terceiro em sol (G), o quart par em ré (D) e o quinto par em lá (A).

Afinação natural na viola caipira
Afinação Natural

Quadro das Afinações

O quadro a seguir mostra a nota referente aos pares de corda solta de cada corda.

afinações da viola sertaneja
Afinações da Viola Caipira

Outras Afinações

Além das afinações mais conhecidas e utilizadas listadas no quadro anterior, há uma variedade grande de outras afinações regionais. Além disso, alguns compositores testas suas próprias afinações, então é muito difícil esgotar o assunto.

As afinações mais tradicionais também possuem suas variações,. Por exemplo, assim como temos Cebolão em mi e em ré, podemos ter a cebolão em dó. Uma lista de várias afinações pode ser encontradas no canal do YouTube MPB de viola. Algumas delas: Realejo, cebolinha, castelhana do ou do sossego, riachão e outras.

Encordoamento

É importante atentar para qual tipo de cordas utilizar de acordo com a afinação que se deseja. É comum o tipo de afinação vir descrito na embalagem do encordoamento. Como as notas são diferentes, quando o encordoamento é adequado a várias afinações o diâmetro das cordas é o que vai diferencia-las.

Os encordoamento também são classificados de acordo com sua tensão que pode ser tensão alta, tensão média ou tensão baixa. O material de construção também varia podendo ser de níquel, bronze ou cobre, aço ou latão.

Acesse Também: A História da Viola Sertaneja e Viola Sertaneja: Faça sua tablatura no Musescore

Para Saber Mais

Viola Caipira- Wikipedia : https://pt.wikipedia.org/wiki/Viola_caipira.

Cancioneiro de Viola Caipira – Volume 1

Projeto Guri – Livro Viola Caipira – Básico 1, livro didático, Autor: João Paulo Amaral. http://www.projetoguri.org.br/novosite/wp-content/uploads/2017/11/Livro-Educador-Viola-Caipira_2011.pdf, http://www.projetoguri.org.br/livros-didaticos/.

A diversidade composicional na obra instrumental de Almir Sater. Dissertação de Mestrado. Autor: Max Júnior Sales. Escola de Educação e Artes da Universidade de São Paulo. https://teses.usp.br/teses/disponiveis/27/27157/tde-07112019-155800/publico/MaxJuniorSalesVC.pdf

YouTube: Canal MPB de Viola

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Aprenda tocar Em Ritmo de Baião

Neste post vamos falar sobre um ritmo e gênero musical característico do nordeste do Brasil: O Baião. O ritmo deriva de um estilo africado chamado de lundu que foi introduzido no Brasil provavelmente pelos escravos originários de Angola. A base rítmica do lundu são os tambores e por essa razão influenciou diversos ritmos brasileiros como samba, maxixe e o baião. A palavra baião deriva do verbo baiar ou bailar. 

Na década de 1940, Luiz Gonzaga disseminou o gênero musical em suas composições incorporando outros elementos da cultura brasileira. A base rítmica é bastante marcada pela zabumba, triângulo e o agogô. A melodia e harmonia ficam a cargo da sanfona. À medida que o gênero popularizou, outros instrumentos passaram a ser usados, entre eles o violão, piano, flauta, entre outros.  Até mesmo composições para orquestra tornaram-se populares e gênios como Hermeto Pascoal e o maestro Sivuca usam e abusam dele em suas composições.

Como Tocar Baião

Para tocar qualquer instrumento em ritmo de baião é preciso primeiro entender o ritmo dos instrumentos de percussão para então incorporá-lo seja no piano, sanfona ou violão. A figura a seguir mostra a fórmula rítmica básica do baião ao ser tocado na zabumba.

Ritmo baião escrito para zabumba
Ritmo Baião – Zabumba

A grande maioria dos ritmos brasileiros são escritos em 2 por 4. O toque da zabumba no baião é uma colcheia pontuada seguido de uma semicolcheia ligada à semínima. Ao tocar, porém, o primeiro toque é mais forte e mais curto (denotado por um staccato que diminui o tempo da nota). 

O triângulo em geral é tocado em todo tempo, sendo o primeiro toque mais curto, sendo abafado pela mão do músico. Já o segundo tempo é mais longo. Escrevemos sua notação adicionando um staccato no primeiro tempo. Já o agogô é intercalado nos contratempos podendo ser tocado no tempo mais forte como variação. Na partitura a seguir substituímos o agogô pelo chocalho por praticidade do uso do software de notação musical (neste caso o Musescore 3.0).

Ritmo baião para triângulo e chocalho ou agogô
Ritmo Baião- Triângulo e Chocalho

Ritmo Básico

A seguir mostramos o ritmo básico do baião tocado por estes três instrumentos e para ficar mais interessante e mais claro, adicionamos um trecho do baião O Ovo de Hermeto Pascoal. Exercite batucando e depois procure aplicar o mesmo ritmo em outro instrumento, como por exemplo o piano ou violão.

Ritmo básico do baião com trecho da música o Ovo de Hermeto Pascoal e acompanhamento na zabumba, triângulo e chocalho.
Ritmo básico do baião
Áudio ritmo básico- Baião

Neste exemplo, o chocalho (ou originalmente o agogô) é tocado no contratempo da zabumba.

Variação 1

Outra opção é mostrada pela primeira variação do ritmo mostrada a seguir onde a zabumba é tocada da mesma forma que o exemplo anterior apenas no primeiro tempo. Já no segundo tempo o toque é encurtado para acomodar um segundo toque curto. Neste exemplo mantivemos inalterados o triângulo e o chocalho.

Ritmo básico do baião com trecho da música o Ovo de Hermeto Pascoal e acompanhamento na zabumba, triângulo e chocalho.
Variação 1 – Baião
Áudio variação 1-Baião

Como dissemos anteriormente, o chocalho (ou agogô) podem ser tocados no mesmo tempo da zabumba ao invés de ser executado no contratempo. Veja o exemplo com a variação 2 a seguir:

Variação 2

Ritmo básico do baião com trecho da música o Ovo de Hermeto Pascoal e acompanhamento na zabumba, triângulo e chocalho.
Variação 2 – Baião
Áudio Variação 2- Baião

Variação 3

Outra variação um pouco mais complexa pode ser obtida tocando o agogô ou chocalho no contratempo, mas com dois toques rápidos de semicolcheia ao invés de apenas um em colcheias, finalizando o compasso com outro toque rápido. Veja como fica esta variação no exemplo a seguir:

Ritmo básico do baião com trecho da música o Ovo de Hermeto Pascoal e acompanhamento na zabumba, triângulo e chocalho.
Variação 3- bãiao
Áudio variação 3- Baião

O vídeo a seguir mostra todos os exemplos um após o outro dando uma idea geral de como executar este ritmo tão rico da nossa cultura. 

Veja o vídeo com os exemplos no You Tube.

Em posts futuros iremos abordar como aplicar os conceitos apresentados para piano e violão. Fique ligado(a).

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